A ideia de mudar de roupa é frequentemente utilizada na
literatura espiritual para descrever uma transformação, “ quando Jesus se
transfigurou, as suas vestes tomaram-se tão brilhantes que os discípulos mal
conseguiram olhar para Ele”, num texto místico Judeu descreve-se uma visão do patriarca
Henoch na qual lhe é retirada a sua “ veste terrena” e é revestido com “ vestes
gloriosas”, na literatura mística, quando alguém nos diz que esta a mudar de
roupa, geralmente significa que teve uma experiencia do Ser, transformando-se
num ser celestial.
Mas nós simples mortais imperfeitos, será que também não
podemos mudar de roupa, ao enveredarmos por largarmos o orgulho que nos afasta
de nós mesmos e dos demais, ao vencer os medos que nos aprisionam em cativeiros
sem grades, ao partilharmos nem que seja um pouco do nosso tempo com quem
precisa ser escutado, sim posso estar errada mas penso que há várias formas de
irmos despindo nossas vestes que por vezes mais parecem proteções de guerra.
Quando era menina
via os anjos perto de mim
mas cresci…
e deixei que os véus de Maia os tapassem
quando criança
as fadas voavam em meu redor
mas então cresci…
e elas fugiram de mim
e nas labaredas
do fogo incandescente
os silfos saltitavam
numa dança magica,
e as ondinas deslizavam
nas pedras brilhantes do rio,
mas então cresci
hoje os gnomos sopram meu rosto brincalhões
e eu penso ser o vento a tocar-me
onde foi que perdi a inocência de menina

