astrespiramides

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domingo, 25 de fevereiro de 2018


Olho através das vidraças,caem gotículas
que escorrem e se estilhaçaram no chão,
o Outono Chegou, as folhas velhas esvoaçam ao vento
enquanto existem as que negam se desligar do galho da vida,
terão elas o poder de sobreviver?
Desvio os olhos da janela e visualizo uma flor solitária à beira do caminho,
É como a vida vazia de tantos seres
que só  permanecem pela memória dos afectos
e a cada dia que passa o frio mistura-se
na sala nostálgica da mesa posta só para um,
a maior iguaria fica trancada na garganta
onde as palavras adormecem caladas,
na cadeira fronteiriça lembranças…
um vulto, um sorriso , promessas tantas por cumprir,
mas nos olhos o peso da vontade
na força dos insubmissos que não se vergam à dor

ainda que o Inverno da vida já tenha chegado.

Luna

terça-feira, 20 de fevereiro de 2018


De pés descalços  passeava na areia molhada da praia deserta,
olhando  para trás via as pegadas que se iam apagando aos poucos
era como a vida que pode ser reescrita a cada instante.
Sentia a maresia inundar os meus sentidos
Era o começo do principio sem fim ,
Do sentido de unidade,
onde a vida e a morte se tocam
onde não existe a separatividade
a dualidade, o sentido egoico,
para que ser uma sombra  perdida na multidão
que já cansada de lutar
vai deslizando como areia ao sabor da ventania.
Se podia ser o solfejo do universo
e entender que não existe para a alma
o bem e o mal, é só deixar ser...estar…
esquecer o relógio do tempo
e parar o pensamento deixando só o sentir.

Maria José Pereira (Luna)

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018


Passava na rua, vadia de afectos,
olhei-te sentado nas pedras molhadas do caminho
cruzamos os olhares...
vi nos teus, chispas incandescentes de raiva incontida,
de uma vida sofrida, aquecida por uma garrafa jà vazia,
a tua boca abriu-se, e dos lábios gretados pelo frio,
saiam sons decifráveis, misturados na saliva que escorria
e ambos se estilhaçaram  no chão,
Näo… näo podia deixar que a dor de uma vida perecesse ali
com cuidado colhi como flores aquelas palavras sofridas,
encostei-as ao meu coração quente de afectos,
dei-lhes carinho, amor e assim as entreguei prenhe de vida,
Ele pegou-as, olhou-me, uma lágrima rolou.
e tranquilo adormeceu.

Maria José Pereira (Luna)




sábado, 10 de fevereiro de 2018


Quando a vida te disser não,
não a queiras enfrentar,
ele está a avisar-te
que escolheste o sentido inverso no caminhar.
Quando os olhos chorarem de dor
näo te feches ao mundo e escuta o coração,
sem quereres, sem vontades,
sem teimares no que te faz mal,
Escuta-o simplesmente, deixando-o sibilar.
Com serenidade e o tempo certo
uma nova vereda irás encontrar .
acomoda-te na praia de ninguém
deixa a tua essência escolher,
sem medos, sem anseios, com a alegria de viver
olha o mar, vê a tua vida a passar
Como as ondas que vão e voltam
tudo um dia se vai modificar
é como no horizonte o pôr do sol
que nos mostra que há sempre
uma oportunidade que acaba por chegar.

Maria José Pereira (Luna)


quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018


Como explicar o inexplicável,
os sentimentos que fluem
que nascem do nada,
que näo säo corpóreos,
ainda assim reais.
Como explicar o que se sente
sem se ter,
Como o perfume do vento
ou mesmo o sentimento
que se vive sem viver.
Como explicar as energias que chegam
se apoderam de nós
como a  saudade do que existe sem existir,
ainda assim  passam a fazer parte da vida.
Como explicar a existência,
o que é real, o indivisível
a vida ou a morte,
neste mundo irreal
como explicar o que é , simplesmente Ser.

Maria Jose (Luna)

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

De braços abertos, face na face, os olhos sabem ler o mais ínfimo suspiro que brota da alma, que fazemos neste e por este mundo insano, que não o sendo, a própria inquietude do Ser que por não o ser  se transforma em insanidade levando a um mundo de inquietude.

Luna

terça-feira, 23 de janeiro de 2018


Sou prisioneira
Entre palavras amordaçadas
E pensamentos contraditórios
Que penetram em mim
Numa dança magica
Sinto-me envolvida, amordaçada,
Grilhetas invisíveis
Nascem no fundo do meu ser
Sou subjugada, aprisionada,
Como barco naufrago
Deslizo ao sabor do vento
Até encontrar o farol guia
O meu porto seguro.


Maria José (Luna)