Olho através das vidraças,caem gotículas
que escorrem e se estilhaçaram no chão,
o Outono Chegou, as folhas velhas esvoaçam ao vento
enquanto existem as que negam se desligar do galho da vida,
terão elas o poder de sobreviver?
Desvio os olhos da janela e visualizo uma flor solitária à beira do caminho,
É como a vida vazia de tantos seres
que só permanecem pela memória dos afectos
e a cada dia que passa o frio mistura-se
na sala nostálgica da mesa posta só para um,
a maior iguaria fica trancada na garganta
onde as palavras adormecem caladas,
na cadeira fronteiriça lembranças…
um vulto, um sorriso , promessas tantas por cumprir,
mas nos olhos o peso da vontade
na força dos insubmissos que não se vergam à dor
ainda que o Inverno da vida já tenha chegado.
Luna


