astrespiramides

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terça-feira, 20 de fevereiro de 2018


De pés descalços  passeava na areia molhada da praia deserta,
olhando  para trás via as pegadas que se iam apagando aos poucos
era como a vida que pode ser reescrita a cada instante.
Sentia a maresia inundar os meus sentidos
Era o começo do principio sem fim ,
Do sentido de unidade,
onde a vida e a morte se tocam
onde não existe a separatividade
a dualidade, o sentido egoico,
para que ser uma sombra  perdida na multidão
que já cansada de lutar
vai deslizando como areia ao sabor da ventania.
Se podia ser o solfejo do universo
e entender que não existe para a alma
o bem e o mal, é só deixar ser...estar…
esquecer o relógio do tempo
e parar o pensamento deixando só o sentir.

Maria José Pereira (Luna)

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018


Passava na rua, vadia de afectos,
olhei-te sentado nas pedras molhadas do caminho
cruzamos os olhares...
vi nos teus, chispas incandescentes de raiva incontida,
de uma vida sofrida, aquecida por uma garrafa jà vazia,
a tua boca abriu-se, e dos lábios gretados pelo frio,
saiam sons decifráveis, misturados na saliva que escorria
e ambos se estilhaçaram  no chão,
Näo… näo podia deixar que a dor de uma vida perecesse ali
com cuidado colhi como flores aquelas palavras sofridas,
encostei-as ao meu coração quente de afectos,
dei-lhes carinho, amor e assim as entreguei prenhe de vida,
Ele pegou-as, olhou-me, uma lágrima rolou.
e tranquilo adormeceu.

Maria José Pereira (Luna)




sábado, 10 de fevereiro de 2018


Quando a vida te disser não,
não a queiras enfrentar,
ele está a avisar-te
que escolheste o sentido inverso no caminhar.
Quando os olhos chorarem de dor
näo te feches ao mundo e escuta o coração,
sem quereres, sem vontades,
sem teimares no que te faz mal,
Escuta-o simplesmente, deixando-o sibilar.
Com serenidade e o tempo certo
uma nova vereda irás encontrar .
acomoda-te na praia de ninguém
deixa a tua essência escolher,
sem medos, sem anseios, com a alegria de viver
olha o mar, vê a tua vida a passar
Como as ondas que vão e voltam
tudo um dia se vai modificar
é como no horizonte o pôr do sol
que nos mostra que há sempre
uma oportunidade que acaba por chegar.

Maria José Pereira (Luna)


quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018


Como explicar o inexplicável,
os sentimentos que fluem
que nascem do nada,
que näo säo corpóreos,
ainda assim reais.
Como explicar o que se sente
sem se ter,
Como o perfume do vento
ou mesmo o sentimento
que se vive sem viver.
Como explicar as energias que chegam
se apoderam de nós
como a  saudade do que existe sem existir,
ainda assim  passam a fazer parte da vida.
Como explicar a existência,
o que é real, o indivisível
a vida ou a morte,
neste mundo irreal
como explicar o que é , simplesmente Ser.

Maria Jose (Luna)

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

De braços abertos, face na face, os olhos sabem ler o mais ínfimo suspiro que brota da alma, que fazemos neste e por este mundo insano, que não o sendo, a própria inquietude do Ser que por não o ser  se transforma em insanidade levando a um mundo de inquietude.

Luna

terça-feira, 23 de janeiro de 2018


Sou prisioneira
Entre palavras amordaçadas
E pensamentos contraditórios
Que penetram em mim
Numa dança magica
Sinto-me envolvida, amordaçada,
Grilhetas invisíveis
Nascem no fundo do meu ser
Sou subjugada, aprisionada,
Como barco naufrago
Deslizo ao sabor do vento
Até encontrar o farol guia
O meu porto seguro.


Maria José (Luna)

quarta-feira, 17 de janeiro de 2018



Amigos para vocês escrevo,
Palavras contidas, sentidas,
Rabiscadas numa folha de papel,
São o meu jardim florido
Cada um com o seu próprio cheiro e cor.
E neste universo de luz onde todos somos um,
Vôo como borboleta
Pousando de flor em flor,
Colhendo o carinho, colhendo o amor,
Quero ser chuva que rega a terra
De momentos partilhados
Um rio que corre para o mar
Em abraços apertados
Ainda que ausente, presente estarei,
Neste planeta terra de oceano azul
Onde novamente encarnei.


Maria José Pereira- luna